4ª Semana da Canção Brasileira de São Luiz do Paraitinga
23 de setembro de 2011 by GiseleJordao

Obrigado São Luiz do Paraitinga!


Música: Caboco Roxo – A Barca – Video: NaGoma Produções

Em 2009, terminamos a 3ª Semana da Canção Brasileira com a mesma sensação de gratidão e sorte que sempre nos acometeu no encerramento deste evento. Foi inevitável que a celebração por mais uma realização trouxesse já muitas idéias para o próximo ano, como um rito de abertura de nossos trabalhos. Nossa ansiedade pela 4ª edição era de tal proporção que mal podíamos esperar.

Veio 2010 e, com ele, a tal “chuva com retorno milenar”. Junto com o ano e a chuva, uma enxurrada de notícias encadeando o acontecido por diversos ângulos, com muitos propósitos e emoções diversas. De cá, ficava a pergunta de como estavam, afinal, nossos amigos queridos, nossos parceiros de trabalho e irmãos de coração. Lá, depois soubemos, a coletividade foi sendo constituída harmonicamente para que, como uma única família, conseguissem sobreviver a dias tão pesados.

A água se foi e, aos poucos, a cidade demonstrou estar mais viva do que nunca. Tijolo após tijolo, com cantigas e abraços, sorrisos e choros, encontros e mais encontros, São Luiz do Paraitinga demonstrou-se mais forte do que nunca. As notícias sobre a cidade, por sua vez, perderam a força e, consequentemente, a oportunidade de aprender com um povo tão bonito não foi oferecida na mesma amplitude com que se ofereceu o caos. Para quem quis saber, São Luiz do Paraitinga teve todo o empenho para contar. Eram marchinhas, depoimentos, poesias, histórias e, sempre, bom humor.

Imaginávamos que neste movimento de reconstrução, em 2010, pouco cabia perguntar sobre a 4ª edição da Semana da Canção Brasileira. Ainda que em condições adversas, relutamos todos em aceitar que não era o momento para a realização do evento. De fato, não era. Seguimos adiante ajustando cronogramas, idéias e corações para, em 2011, celebrarmos mais uma vez com a cidade. Em clima de alegria e paz, mais calejados que antes, mais amáveis que nunca, os luizenses novamente nos receberam com sorrisos e afagos para a 4ª Semana da Canção Brasileira.

A este povo que nos deu a oportunidade de aprender e de, mais uma vez, compartilhar conosco nesta última semana uma cidade tão preciosa, agradecemos do fundo do coração. Podemos dizer que a Semana da Canção Brasileira também se reconstruiu com São Luiz do Paraitinga. Todas aquelas idéias, surgidas pouco após a 3ª edição, haviam se modificado para todo o sempre. A confissão que temos, porém, é que uma das idéias permaneceu intacta: São Luiz do Paraitinga é o nosso lugar.

Luizenses, nativos ou de coração, nosso agradecimento eterno pelo aprendizado e pela generosidade. Vocês são realmente únicos. Toda a nossa admiração e emoção é para vocês. Até já.

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20 de setembro de 2011 by Carlos Rabelo

O próximo passo é a dominação mundial


 

Quando chegamos a São Luiz, fomos avisados que havia uma grande chance de se avistar o Zorro cavalgando pelas ruelas coloniais da cidade. Como assim? O Zorro? Um veterano de outras edições da Semana da Canção explicou melhor. O nome dele é Bozó, é uma figura folclórica da cidade. Consta que não é o único, outros luizenses – mesmo fora do carnaval – gostam de se fantasiar e inventar uma novidade qualquer, seja uma roupa diferente ou uma revolução estética.

São Luiz do Paraitinga é uma cidade diferente. Muitas cidades brasileiras são festeiras, muitas contam com uma tradição de séculos de cultura e música, no entanto, em São Luiz é prática corrente a reinvenção destas festas. A própria Semana da Canção Brasileira, que só teve quatro edições, parece ter sempre estado aqui desde tempos imemoriais.

No início dos 80, um grupo de luizenses recriou seu próprio carnaval, redescobrindo um gênero clássico da música brasileira – a marchinha. Falando assim parece fácil, mas aí que entra o talento desse povo. Não contentes em brincar, eles criam novas festas e um novo modo de se fazer marchinhas e de pular o carnaval.

Quando se visita alguém, a gente se esforça muito para não incomodar o dono da casa. A gente inclusive se esforça para que o anfitrião se sinta à vontade, numa inversão dos dizeres “sinta-se em casa”. Gente do interior costuma ser assim, desconfiada, não habituada com forasteiros. O luizense não. Ele recebe o visitante com muita naturalidade. Quase como se a gente tivesse demorado a chegar, e que nosso lugar é aqui e não podia ser outro. Isso é transcender a hospitalidade.

Do mesmo modo que os cariocas não se impressionam em ver celebridades andando pelo calçadão, os luizenses acham muito natural que haja um show da Leci Brandão num dia, Dominguinhos no outro e Geraldo Azevedo na véspera. Essa é a rotina, é assim que as coisas funcionam. Em que outra cidade com dez mil habitantes uma coisa assim é corriqueira? Um dia ainda veremos Paul McCartney andando por aí e jantando n’O Sol Nascente da Alice – e os luizenses vão nem arregalar o olho.

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19 de setembro de 2011 by Paulinho de Jesus

Semana da Canção Brasileira – 18 de Setembro


Música: Antífona (Zé Modesto) – Video: NaGoma Produções

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19 de setembro de 2011 by Carlos Rabelo

Maestro Seu Domingos

Seu Domingos

Foto: Paulinho de Jesus

Nós podemos chamá-lo de Dominguinhos, como se ele ainda fosse o menino que carregava o acordeom do Luiz Gonzaga, no entanto os músicos que o acompanham sabem muito bem quem ele é e o chamam de “Seu Domingos…”. Assim o chama Flavinho Lima, jovem promessa do forró, com a típica voz de tenor heróico, ampla e brilhante como a do Lua e a do cantador Santana. Flavinho cantou alguns números para descansar o maestro.

Muito mais que o show de um grande do forró, o que se viu no Coreto Elpídio dos Santos foi a apresentação de um dos maiores instrumentistas do Brasil. Para evidenciar esse fato, Dominguinhos fez uma seleção de choros:  “Saxofone, porque choras?”, “Doce de Coco” e “Lamento”, e pode muito bem ser nomeado com um dos maiores chorões do Brasil. Por falar em música instrumental, ninguém tinha sido avisado que teríamos de brinde nada mais nada menos do que Heraldo do Monte. Começou tocando como um garoto roqueiro, mas em certa da altura demonstrou um cansaço de veterano, e pediu uma cadeira. Continuou tocando sestrosamente, sentado, como se estivesse na varanda de sua casa.

Dependendo de como a luz bate em seu rosto, e de seu permanente sorriso, às vezes Dominguinhos se parece com aquelas máscaras chinesas, as máscaras que representam reis, com aqueles bigodões. Já a risada dele, é uma risada de índio, tímida e com uma alegria estóica. Os dedos do mestre lembram a mão de velhos pianistas, como Cláudio Arrau e Arthur Rubinstein, com aquela força e expressividade destiladas por muito tempo.

Feliz por escutar o público de São Luiz com as letras de De volta pro aconchego, Eu só quero um xodó na ponta da língua, Dominguinhos acenava para as pessoas, ouvia os pedidos, conversava e contava causos da infância e dos tempos de músico de boate.   Quando chegou a hora obrigatória de cantar Asa Branca, soltaram fogos de artifícios, Dominguinhos terminou em grande estilo, levantou-se, tirou o chapéu saudando o público como convém a um grande maestro.

Para acalmar o meu coração depois do Dominguinhos, uma dose de cachaça. Vamos deixar registrado aqui, que a dose da cachaça em São Luiz tem um volume ligeiramente maior que a média nacional. Ainda não há um estudo científico, mas suponho que a dose luizense deve estar uns 30 ml acima. Mas claro que ninguém vai reclamar…

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19 de setembro de 2011 by Carlos Rabelo

“… o que me resta nesta tarde de domingo”

Tulipa Ruiz

Foto: Paulinho de Jesus

Os versos de Efêmera acertaram na mosca, quando a Semana da Canção já ia chegando ao seu fim. Como a vida, como a canção, a Semana também é efêmera.

Tulipa Ruiz deu uns dos shows mais aguardados da semana, e muitos no público exclamavam sua recente conversão ao som novo e bacana da cantora.

Com sua voz felina, coquete, e uma teatralidade autêntica, com pequenas brincadeiras de mímica, e às vezes alguns gestos nervosos, seguidos por um relaxamento de quem diz “tô nem aí”, Tulipa constrói uma identidade artística cheia de simpatia, cujo carro-chefe é a voz, da qual o adjetivo mais preciso deve ser “gostosa”.

Ela veio usando um gigantesco cílio postiço, num olho só, que causou um efeito meio Kubrick. Tulipa solta uns agudos não de ópera, mas de guitarra elétrica.

As canções são todas engendradas dentro de um caldo de música pop, do qual vai se sentindo sabores daqui e dali. A banda, capitaneada pelo irmão Gustavo Ruiz e o pai Luiz Chagas, trouxe para o mercado municipal os primeiros momentos de rock’n roll consistente nesses dias que passaram.

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19 de setembro de 2011 by Carlos Rabelo

Os filósofos do cavaco e da viola

A Dupla Personalidade

Da maravilhosa tradição de duplas caipiras humorísticas – que teve Jararaca e Ratinho, e principalmente Alvarenga e Ranchinho – registre-se mais uma: Paulo Freire e Wandi Doratiotto, também conhecidos como Dupla Personalidade.

O show ocorreu numa bela tarde de sábado, num espaço novo para os freqüentadores desta edição da Semana – o Alto do Cruzeiro, mais precisamente na Praça Benedito Alves Godói, uma região que já poderíamos chamar de “a grande São Luiz”.

Com um lindo cenário ao fundo, onde ia se desdobrando a Serra do Mar, e uma luz de sol filtrada pelo ar fresco da serra, Paulo e Wandi cantaram clássicos de Alvarenga e Ranchinho, canções próprias que falavam tanto do Ceasa quanto de Dostoievski, intercalados por causos, diálogos surreais e piadas do Wandi, que também puxava seus sambas no cavaco.

Paulo Freire cantou uma música bastante esclarecedora sobre a vida dos homens, e outra sobre a tradição que alude ao capeta e a viola. Lembra a que fala no capeta e no violino, das diabruras de Paganini. No final das contas, vira uma desculpa para que os violeiros demonstrem seu virtuosismo; como Paulo, que fez um truques de prestidigitação, tocando a viola ao contrário com o bojo virado para o público.

Vamos com Deus, Nossa Senhora, e o diabo atrás tocando viola!

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19 de setembro de 2011 by Paulinho de Jesus

Galeria dia 18 de Setembro

Fotos: Paulinho de Jesus

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19 de setembro de 2011 by Paulinho de Jesus

semana da canção brasileira – Águas

Música: Oleleo Caua (A Barca) – Video: NaGoma Produções

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19 de setembro de 2011 by Carlos Rabelo

Abóbora

Banda Mirim

Foto: Paulinho de Jesus

Prosseguindo com o melhor entretenimento infantil possível e imaginável, a Semana da Canção recebe a Banda Mirim, criada pelo dramaturgo e diretor Marcelo Romagnoli e uma trupe sensacional.

É um pessoal capaz de tocar, cantar, atuar e dançar. No meio do espetáculo surge do nada um trio de forró, constituído apenas por damas. Claudia Missura, com uma assombrosa versatilidade, faz uma menina chamada “Aurora… E só!” E logo em seguida a atriz passa a fazer uma vovó rapper.

Enquanto o espetáculo prosseguia, com as crianças de olho, o mercado municipal funcionava normalmente como em um domingo qualquer. Barracas de fruta, comércio variado, e num canto do mercado provectos senhores luizenses dedicavam-se à nobre arte do truco.

O espetáculo seguia com as canções de Tata Fernandes, dentro de um programa de rádio num passado interiorano. Referências a velhos reclames, efeitos sonoros cômicos e para terminar um carnaval de bolso, que saiu pelo público como um desfile felliniano.

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19 de setembro de 2011 by Carlos Rabelo

A comitiva baiana

Simone da Silva Passos e Marcelo Bottini

Foto: Paulinho de Jesus

Além dos músicos que vem se apresentar durante a Semana da Canção, dos professores, e do público em geral que acorre de várias partes do país, o evento também recebe gente empenhada em estudar e aproveitar mais a fundo as oficinas para levar algo de novo para onde vieram.

Dentre eles figuram os professores do IASA, o Instituto dos Amigos de Santo André. Santo André, no sul da Bahia, é uma comunidade do município Santa Cruz Cabrália, que é onde Cabral chegou mesmo, não Porto Seguro como crêem alguns desavisados. O IASA é uma ONG cujo foco principal é música.

Lola França Pinto, a coordenadora de projetos do IASA, já veio diversas vezes e conseguiu levar para Santo André dois professores deste evento – Lucas Ciavatta, que ensinou aos baianos seu método para o ensino de ritmo, o método do passo, e o luthier Fernando Sardo, que passou parte sua experiência para o professor de percussão do IASA, e também luthier, Marcelo Bottini. Dois instrumentos fizeram mais sucesso: o violoncelo de cabaça e o xilopeixe, um xilofone em forma de peixe que se tornou uma atração turística de Santo André.

Lola concedeu entrevista para este blog falando da importância da Semana da Canção para o trabalho que desenvolvem: “o mais bacana são as parcerias que se formam aqui, gente do mesmo ramo que se conhece e troca experiências, o que enriquece muito nosso trabalho.”

Este ano, em vez de levar os oficineiros de São Luiz para lá, o instituto preferiu trazer seus próprios professores para cá. Simone da Silva Passos e Marcelo Bottini, ambos professores de música do IASA participaram das oficinas de educação musical de Carlos Kater. Bottini falou com o blog e disse o seguinte sobre as oficinas de Kater: “serve para reafirmar os valores que estamos trabalhando com as crianças da ONG, e nos causou uma impressão bastante positiva”.

E para o futuro? A ONG espera seguir com o projeto Ambiente Musical, que recebe o patrocínio do Banco do Nordeste, para atender 150 crianças que vivem numa área carente e que depende exclusivamente do instituto para receber uma educação mais completa.

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